O que a história das bolhas financeiras nos ensina

Você trocaria uma casa inteira, localizada em uma área nobre da cidade, por um único bulbo de flor? Soa como loucura, eu sei. Mas, no século XVII, na Holanda, pessoas sensatas e respeitáveis fizeram exatamente isso durante a “Tulipomania”. E se avançarmos a fita para 2021, vimos pessoas pagando o preço de um apartamento de luxo por um JPEG de um macaco entediado. A história não se repete, mas, como dizem, ela rima. E rima com uma cadência assustadora quando olhamos para o mercado de criptoativos através das lentes das grandes bolhas financeiras do passado. O que me fascina, depois de tantos anos observando gráficos e sentimento de mercado, é como a psicologia humana permanece imutável.

A tecnologia evolui – passamos de flores para ferrovias, de empresas “pontocom” para protocolos DeFi e NFTs – mas a ganância e o medo são os mesmos hardwares biológicos instalados em nossos cérebros. A lição mais brutal que a história nos ensina é sobre a falácia do “desta vez é diferente”. Essa é, sem dúvida, a frase mais cara do mercado financeiro. Lembra da bolha da internet nos anos 2000? Naquela época, qualquer empresa que colocasse “.com” no nome via suas ações dispararem, mesmo sem ter lucro ou um modelo de negócios viável. O mercado estava certo sobre a internet mudar o mundo? Absolutamente. A Amazon sobreviveu e dominou. Mas para cada Amazon, houve centenas de Pets.com que viraram pó. No universo cripto, vemos esse filme rodando em 4K.

Durante os ciclos de alta, ou “bull markets”, projetos com tokenomics duvidosos, sem utilidade real ou com promessas de rendimentos insustentáveis (o famoso yield de 20% ao ano em stablecoins, que vimos colapsar com a Terra/Luna), atraem liquidez massiva. O investidor novato, embriagado pela dopamina dos candles verdes, ignora os fundamentos. Ele compra a narrativa, não o projeto. A análise macroeconômica aqui é vital. Bolhas geralmente são infladas por dinheiro barato. Quando os bancos centrais injetam liquidez no sistema, esse capital precisa ir para algum lugar, e ele flui para o risco. Bitcoin e Altcoins funcionam, em grande parte, como esponjas dessa liquidez global. Quando a torneira seca e os juros sobem, a maré baixa. E é na maré baixa que descobrimos quem estava nadando pelado. http://instagram.com/reel/DJuicFrN88_/

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