Fraturas de calcâneo: os desafios de tratar o osso mais resistente do pé.

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Já parou para pensar que o seu calcanhar é, literalmente, o para-choque do seu corpo? Ele é o primeiro a tocar o chão em quase todos os passos que damos, suportando uma carga absurda a cada caminhada ou corrida. O calcâneo não é apenas o maior osso do pé; ele é uma fortaleza de osso cortical por fora, mas com um interior esponjoso que o torna único – e terrivelmente complexo quando decide quebrar. Na ortopedia, costumamos dizer que a fratura de calcâneo é uma “lesão de alta energia”.

Não é o tipo de coisa que acontece tropeçando no tapete da sala. Geralmente, o cenário envolve uma queda de altura – como um pedreiro que cai de um andaime ou alguém que pula um muro e aterrissa mal – ou um impacto violento em acidentes de trânsito. O impacto é tão seco que o osso muitas vezes não apenas racha, ele explode por dentro, perdendo sua altura e largura originais. O efeito “casca de ovo” Imagine uma caixa de ovos. Se você pressionar a lateral, ela resiste. Mas se você aplicar uma força vertical súbita e intensa, a casca externa se estilhaça enquanto o conteúdo interno se comprime.

É exatamente isso que acontece no calcanhar. O grande problema aqui não é só o osso quebrado, mas a superfície articular. O calcâneo se articula com o tálus (o osso que fica logo acima dele) para permitir que você faça aquele movimento de “lado a lado” com o pé, essencial para caminhar em terrenos irregulares. Quando a fratura atinge essa articulação e não conseguimos deixá-la “lisinha” de novo, o caminho para a artrose precoce e para a dor crônica fica escancarado. O dilema do tratamento: operar ou não? Anos atrás, um paciente chegou ao meu consultório após cair de uma escada de três metros.

O pé dele parecia uma berinjela de tão inchado e roxo. Naquele momento, o maior erro seria levá-lo direto para a mesa de cirurgia. Por que? Porque a pele do calcanhar é extremamente sensível e tem pouca circulação sanguínea. Se operarmos com o pé muito inchado, a ferida simplesmente não fecha ou infecciona. Às vezes, precisamos esperar uma ou duas semanas, com o pé para cima e muito gelo, até que as “rugas” na pele voltem a aparecer. Esse é o sinal verde para o cirurgião. A decisão entre operar ou seguir o tratamento conservador (sem cirurgia) é um dos maiores debates na traumatologia do pé e tornozelo.

– O caminho cirúrgico: Usamos placas e parafusos para tentar devolver o formato original ao osso. É como montar um quebra-cabeça 3D onde as peças são minúsculas. Hoje, temos a opção da cirurgia minimamente invasiva, onde fazemos cortes muito pequenos, diminuindo drasticamente o risco de problemas com a cicatrização. – O caminho conservador: Reservado para fraturas que não saíram do lugar ou para pacientes que, por questões de saúde (como diabetes grave ou tabagismo pesado), teriam um risco muito alto de complicações na cirurgia.

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